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Os primeiros 1000 Dias do Bebê

Bebê, Crônica, Desenvolvimento e Educação, Maternidade, Paternidade

Você já ouviu a expressão 1000 Dias? Ela foi criada para chamar a atenção para o desenvolvimento motor, neural e emocional do bebê nos seus primeiros 1000 dias de vida.

Por: Rafa Andrade

Nunca sonhei em ser pai. Não que eu não quisesse. Pelo contrário. Acredito que quando encontrasse uma companheira que fizesse planos, e chegasse lá pelos 30 anos, com certeza pensaria no assunto. Sou de uma família de 5 irmãos então acredito que iria querer minha casa cheia assim como foi na minha infância.

Mas, não cheguei a pensar nisso. Quando eu tinha 22 anos, sentado sozinho em uma escada de uma clínica de exames, eu li um resultado de um exame de gravidez que mudaria a minha vida: “Você vai ser papai”.

Não tinha maturidade nem inteligência emocional para cuidar de uma criança. Não tinha a menor ideia do que era isso na verdade. E, durante 9 meses, achei que tinha me preparado e feito todo meu papel. No caso, apenas acompanhar a mãe nos exames, sair de madrugada para comprar um sorvete de mel para matar o desejo e tentar compreender a situação.

Já no parto, que meu filho não chorou e nasceu com ápgar de 3, eu já pude perceber que eu não estava pronto. Conto nesse outro post como foi o meu parto.

Hoje, 12 anos mais tarde vejo com muita clareza meus erros e o quanto minha jornada foi tortuoso simplesmente por que eu não estava preparado pra isso. Além da pouca idade, eu não tive acesso a informações que me preparasse para essa viagem que seria, sem dúvida,  a mais importante da minha vida.

Comecei a pensar na Sem Choro no Carnaval de 2011. O site nasceu, ainda respirando por aparelhos em 2014 e ganhou vida de fato em 2016. E a partir desse ano eu comecei a escrever e produzir conteúdo sobre criação de filhos com uma visão paterna.

Afinal, o que é os primeiros 1000 Dias?

Ouvi essa expressão pela primeira vez em um seminário e comecei a estudar mais sobre o assunto.

Os 1000 Dias é a somatória dos dias da gestação (270) mais os dois primeiros anos de vida da criança (365 + 365). A expressão tem o objetivo de chamar a atenção para a importância desse período no desenvolvimento do bebê para o resto da vida.

Com o avanço da tecnologia, a evolução da ciência e da medicina temos descobertos coisas fantásticas sobre os bebês.

Muitas mudanças e transformações no corpo e mente do bebê e da mãe, até pouco tempo atrás, não era de conhecimento dos pesquisadores. Se voltarmos pouco mais de 100 anos, as crianças não tinham a menor importância na vida das famílias. Não tinham seus direitos respeitados nem suas vontades levadas em consideração.

Esse período é de maior plasticidade cerebral em toda a vida do ser humano e o cérebro tem uma taxa de sinapses inimagináveis que fazem com que ele aprenda, desenvolva e cresça em uma velocidade que nunca mais irá se repetir.

Três dados que comprovam com simplicidade essa plasticidade e evolução é o peso do corpo e cérebro e o tamanho do bebê.

• O peso do cérebro corresponde a 1/4 do peso do bebê;

• Nos primeiros 12 meses, o bebê triplica de peso;

• Nos primeiros 2 anos, o bebê quase dobra seu tamanho.

 

O que precisamos aprender sobre os 1000 Dias?

Eu busco levar essas informações sempre adianta para orientar os pais que estão nessa jornada para que eles não precisem passar pelas dificuldades das quais eu passei.

O conteúdo e informações sobre essa etapa é extensa demais para ser passado em um post. Mas podemos pontuar algumas coisas por aqui.

 

Transformação e evolução da mãe.

A mãe vai passar por transformações intensas. Não só físicas. Emocionais também.

Durante a gestação ela tem alterações imediatas em seu corpo. Muitas dessas transformações são mais ou menos intensas. Naturalmente, cada mulher reage de um jeito. Quadril alarga, cresce o pé, incha o corpo, muda brilho da pele, do cabelo e, obviamente, a barriga cresce.

Seus hormônios oscilam com facilidade e seus níveis de prolactina e oxitocina variam durante a gestação, o parto e o Puerpério. Isso, assim como tudo na vida, também varia de pessoa pra pessoa. Algumas mulheres ficam mais chorosas, mais tristes, outras mais radiantes. E muda a cada etapa. É uma questão complexa para se debater em um post. O importante de saber agora é que está tudo bem. Que é normal e a maioria das mães passam por isso.

O Parto é uma viagem sem volta. A mulher que volta do parto muitas vezes não é a mesma que entrou nessa viagem. E as transformações emocionais que iniciaram no começo da gravidez começam a se consolidar mais por aqui.

Ao contrário do que muito homem acha, a mulher não entende o choro do bebê, não sabe trocar fralda, não sabe fazer dormir simplesmente por que ela é mãe. Talvez ela tenha uma habilidade natural a mais do que a gente no cuidado. Mas ela precisará aprender, assim como nós.

A descoberta de uma nova vida, a responsabilidade de amamentar, cuidar, zelar, e evoluir com o bebê pode ser tornar um grande fardo. Aí conhecemos o famoso Puerpério que é uma fase de grande aprendizado. Não vou entrar em detalhes porque o puerpério merece um conteúdo só pra ele…

Enfim, a mãe também está fazendo descobertas do seu papel e tendo um companheiro que assuma e divida essa responsabilidade, tudo fica mais fácil.

 

Evolução do bebê

O bebê, como já mencionei, evolui física, motora e emocionalmente em uma velocidade nunca mais vista em toda sua vida.

A alimentação da mãe é de extrema importância para a evolução dele na barriga e pode influenciar inclusive seu paladar depois que ele nasce.

Com 30 semanas de gestação seu cérebro já está formado e ele já tem 4 sentidos funcionando: olfato, paladar, tato e audição. A visão é o único sentido que fica para depois do parto.

Algumas descobertas recentes mudaram completamente a visão que tínhamos sobre os bebês. Até uma ou duas gerações atrás era normal ouvirmos: “deixa chorar pra acostumar” ou “não pega muito no colo para não mimar a criança”.

Hoje, através de estudos científicos, sabemos que uma criança que tem suas necessidades acolhidas, que tem amor, afeto e carinho se desenvolve emocionalmente de maneira mais sólida e tem influência em toda sua vida. Uma criança sem apego, sem um pilar de afeto fica muito mais propensa a crescer com depressão e ser mais violenta.

Uma ressonância magnética feita pela neurocientista Rebecca Saxe em 2017 comprova essa reação química no cérebro de pai/mãe e filho(a) durante um simples beijo.

Beijo bebê e mãe/pai Foto: Rebecca Saxe

Na imagem acima é possível ver a explosão de oxitocina (popularmente conhecido como o hormônio do amor) no cérebro de ambos. Além do hormônio do amor, o beijo também ativa o sistema de recompensa do cérebro e libera:

• Dopamina, o que nos faz sentir bem;
• Vasopressina que liga as mães com bebês e parceiros românticos uns aos outros e
• Serotonina, o hormônio do prazer, que ajuda a regular o nosso humor

Rebecca contou como fez a experiência.

“No meu laboratório, no MIT, usamos a ressonância magnética para observar o fluxo sanguíneo no cérebro das crianças; lemos as histórias e observamos como a atividade cerebral muda em reação ao ambiente. Ao fazer isso, estamos investigando como as crianças reagem sobre os pensamentos de outras pessoas”, escreveu Rebecca em uma rede social.

A ressonância foi feira com ela mesma e seu próprio filho, na época com 2 meses.

“Mãe e filho são um poderoso símbolo de amor e inocência, beleza e fertilidade. Embora esses valores maternos, e as mulheres que os incorporam, possam ser venerados, eles geralmente são vistos em oposição a outros valores: investigação e intelecto, progresso e poder. Mas sou neurocientista e trabalhei para criar essa imagem; e eu também sou a mãe, enrolada dentro do tubo [de ressonância] com meu filho pequeno”, diz Rebecca em seu perfil em uma rede social.

Talvez esse seja o fator mais importante para nós pais sabermos: Amor e carinho. Mas, como eu disse no início dessa conversa, tudo é muito amplo e vou parar esse resumo do bebê por aqui.

 

Onde entra o pai nos primeiros 1000 Dias do bebê?

Biologicamente o pai tem papel essencial apenas na concepção. Todo o resto ele é (repetindo: biologicamente) dispensável.

Porém, por ora vamos esquecer o biológico. Fatores emocionais, sociais e mesmo de desenvolvimento de pai e filho são mutáveis com a presença ou ausência do pai.

A meu ver, o pai precisa entender todo esse processo de evolução e transformação por um motivo principal: Essa barriga também é dele. É sua responsabilidade assim como é da mãe.

Existem pesquisas que comprovam que crianças que crescem sem a presença do pai podem se torna mais agressivas e desafiadoras. Isso não quer dizer que ele é a figura central e grande protagonista. Isso apenas mostra que criar uma criança é uma tarefa importante e grande demais para se dividir com a casa e com a carreira profissional. Logo, uma pessoa apenas vai ficar sobrecarregada.

Até pouco tempo atrás o pai não fazia questão nenhuma de ter uma participação ativa na vida dos filhos. Culturalmente o pai era o provedor, trazendo dinheiro / alimento para a casa e ficava a cargo da mulher cuidar do restante. Hoje, o protagonismo paterno desde a gestação já cria um elo com a criança que trás benefícios para sua estrutura emocional.

Uma pesquisa apresentada pelo documentário (disponível na Netflix) Bebês em Foco comprova que o homem que participa ativamente da vida de seu filho tem alterações neurológicas que antes eram vistas apenas na mulher. O puerpério também já é observado em pais que são o principal pilar de apego do bebê.

Além de absorver todo esse conhecimento por ser responsabilidade dele também, o pai tem uma visão mais humana e empática sobre as grandes transformações que a mãe está passando e desmistifica o mantra de que “a mãe está louca”.

1000 Dias é uma jornada sem volta. E não se engane, antes de arrumar as malas, temos a impressão que a viagem é longa e será percorrida em uma velocidade baixa para apreciarmos a paisagem. Depois que iniciamos, percebemos que estamos em alta velocidade e, sem a devida atenção, aquele cenário de cartão postal: montanha ao fundo, lago brilhante aos seus pés e um pôr do sol exuberante pode passar despercebido.

Aproveite cada momento e se prepare para a maior jornada da sua vida.

Não é fácil. As transformações nos tiram do eixo e da zona de conforto e muitas vezes demoramos a perceber o que está havendo. Mas ao final dos 1000 Dias você irá perceber que essa foi a viagem mais incrível que você já fez. E, como toda viagem, fotografe cada momento. Eles vão passar rápido demais e vai acontecer tanta coisa que você pode se esquecer de uma cara lambuzada de frutas, um grande chute na barriga, uma lágrima derramada na sala de parto…

Para ilustrar essa velocidade, eu finalizo esse post com um vídeo em que “conversei” com o relógio para ele tirar o pé do acelerador. Meu filho mais novo estava chegando ao final da jornada dos 1000 Dias e por mais que eu tenha aproveitado essa viagem, eu queria mais um pouquinho…

 

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Rafa Andrade | Fundador do Sem Choro

Sou Rafa Andrade, pai do João (2007) e do Marcelo (2017); Fundador da Sem Choro; Produtor de Conteúdo; Empreendedor; Designer Gráfico e Web; Diretor da Agência iMAGON. Sou um inquieto. Um sonhador. E, como tal, penso em transformar o mundo.

Contato: rafael@semchoro.com.br

 

 

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