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Ciúmes de irmão. Como fica o filho mais velho com a chegada do irmão mais novo

Crônica, Paternidade

“Você vai ganhar um irmãozinho”. Essa notícia, aguardada por muitas crianças, pode ser bem recebida no início. Porém, com a chegada do bebê, o ciúme do irmão mais velho provavelmente irá aparecer. Como lidar com o ciúmes do irmão mais velho?

Me lembro bem do dia em que contamos pro João que ele ganharia um irmãozinho. 

Durante anos ele pediu um irmão. Casei com a Bela (mãe afetiva do João) no dia do aniversário de 5 anos do João. De lá pra cá foram muitos pedidos por uma nova gestação. O número desejado foi diminuindo com o tempo. Aos 5 anos, ele queria 10 irmãos. Bem que gostaria, mas é melhor não.

Em janeiro de 2017, em uma manhã de domingo, chamamos ele em nossa cama para contar a novidade.

Apontando para a barriga da minha esposa perguntei: “Você sabe o que tem aqui?”.

Como ele já estava mais crescido já entendeu o recado e retrucou: “Sério? Você grávida?”. E emendou: “Você nem está tão gorda!”. Considerando que não tinha chegado nem na 7º semana, o comentário não foi muito oportuno. Mas tudo bem, coisa de criança.

 

Evolução da gestação aos olhos do irmão

Os 9 meses de gestação são uma eternidade para a criança. Dificilmente a criança fica ligada durante todo o tempo que o bebê está cada dia mais próximo. No caso do João, os primeiros meses ele quase esqueceu.

Somente quando a barriga ficou bem evidente e a estrutura da casa começou a mudar que ele começou a sentir de verdade. Até aí, nada de ciúmes.

No último trimestre percebemos que ele estava bem ansioso com a chegada do seu “melhor amigo”. Percebemos que sua expectativa era essa. Um grande amigo a caminho.

Com a diferença de 10 anos entre eles, foi o momento de “jogar a real”.

A criança esquece que também já foi pequena. Que já foi bebê. Quando relembramos que o Marcelo ia nascer um bebê que não fazia nada, que ia aprender tudo aos poucos e ia precisar de muita atenção nossa… sentimos que ele deu uma murchada. Mas era a melhor hora para contar a verdade.

 

Chegada do irmão mais novo

Não tínhamos ideia de como seria a reação dele quando de fato o Marcelo chegasse.

Existem inúmeros casos de crianças que ficam muito nervosas e até agressivas com o irmão mais novo. Isso é bem comum na verdade. E as reações variam de criança para criança (obviamente) e variam muito também de cada idade.

No dia do parto (dia útil), o João estava na aula e pedi meu irmão para dormir em nossa casa com ele. O parto foi final de tarde e preferimos que ele só nos visitasse na manhã seguinte.

Ele ficou bem animado com a visita. E só.

No dia seguinte, quando a rotina de casa começou, não reparei nenhuma reação aparente do João.

Naturalmente, toda atenção voltada para o Marcelo, passei dias sem sair de casa com o João e, ingenuamente, achava que estava tudo bem. Que ele estava compreendendo toda situação.

Eu, até então, era a única pessoa que estava ao lado dele todos os dias e em todas as fases da vida. Com a chegada do Marcelo, “ele perdeu tudo”. Do parto em diante, perdeu a mãe, o pai e não ganhou um irmão. Ganhou um bebê que só chorava, fazia cocô, comia e acordava a casa inteira de madrugada.

Mas foi somente no dia que ele externou esse sentimento que a minha ficha caiu.

Deitado na cama pronto para dormir, ele me chamou e me perguntou: “Pai, porque o Marcelo é mais importante que eu?”.

De fato essa pergunta me assustou. Porém, calmamente, expliquei que “importante” não era a palavra correta a ser usada. E, ao mesmo tempo, tive a convicção que deveria ser o mais sincero possível.

Expliquei que o Marcelo ainda era muito novo e ia depender muito da gente. Não só naquele momento, mas que essa dependência iria demorar anos. “A gente tem que trocar a fralda, ajudar a comer, tomar banho, dormir. Ele precisa da gente pra tudo. Isso é demanda, necessidade. Não é importância. Semana passada fomos nos dois ao cinema. Isso não faz de você mais importante que ele. Ele só não tem idade ainda pra isso.”

A Bela já tinha dado a ideia, dias antes, de sairmos só nos dois. E a sessão cinema caiu bem como exemplo.

 

Agora sim, um grande irmãozão

Com o tempo e a evolução natural do Marcelo, João foi ficando mais próximo e mais irmão. No começo não era muito companheiro e tem, até hoje, aversão a trocar fralda.

O bebê só começa a acompanhar com os olhos por volta do 2 mês e a sorrir mais ou menos no 3º. Quando isso começou o João começou a sentir mais prazer em estar com ele.

Nessa época, vimos novamente o filme O Poderoso Chefinho. A animação caiu como uma luva e João se identificou muito com a história e percebeu que, mesmo com idades muito distintas, eles poderiam ser grandes amigos.

Hoje o João é um grande irmão. Carinhoso e atencioso ao extremo. Exalta a fofura do Marcelo o tempo todo e hoje chegou a dizer que não conseguiria ficar um dia sem ver essas bochechas.

Por aqui deu tudo certo. E na sua casa, como fizeram?

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Rafael Andrade - Fundador do Sem Choro

Sou Rafa Andrade, fundador do Sem Choro, Empreendedor, Designer Gráfico e Web, Diretor da Agência iMAGON, pai do João e do Marcelo.

Contato: rafael@semchoro.com.br

 

 

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