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Maternidade e vida profissional: uma dupla jornada

Crônica, Maternidade

Carreira x maternidade: Como a maternidade pode modificar nossas habilidades profissionais?

Ao demostrar suas habilidades de mãe, uma mulher deveria ser mais valorizada profissionalmente, deveria contar pontos em uma entrevista de emprego, você concorda? “O progresso é impossível sem mudança, e aqueles que não conseguem mudar suas mentes não conseguem mudar nada.” George Bernard Shaw

Sempre desejei conciliar meus papéis: profissional, maternal e o social; mas, essa tarefa não é fácil. Ser mãe é um processo constante de mudança, adaptação e resiliência.

Lidar com todos os desafios que a maternidade impõe requer esforço. São idealizações, frustrações, sonhos que se diferem muito da realidade. Essas divergências permitem um amadurecer e essa nova mulher também é percebida profissionalmente; afinal, no ambiente de trabalho, estamos todos os dias lidando com expectativas, planejamentos, metas e pessoas.

Adaptação é a alma da maternidade e da vida profissional. Temos demandas específicas, mas também desenvolvemos muitas habilidades ao nos tornarmos mães. Somos multifuncionais, ágeis e prontas para solucionar problemas. Nós, no papel de mãe, passamos dia após dia planejando, organizando, executando e gerenciando as atividades do cotidiano.

O mercado de trabalho deveria valorizar essas habilidades desenvolvidas através do papel de mãe. Nos tornamos mais dinâmicas, objetivas, dividimos melhor o tempo, somos mais empáticas, temos um olhar mais humanizado sobre as relações interpessoais. Temos a capacidade de priorizar e fazer o que realmente importa e dá os melhores resultados. Quando levamos isso também para o lado profissional, tornar-se um diferencial, ainda mais em tempos de novas dinâmicas de trabalho, como os propósitos nas relações de consumo e empresariais.

 

Inclusão das mães no ambiente corporativo

O mercado está mudando a partir da transformação digital e, esse novo cenário, nos permite pensar e promover discussões sobre outras perspectivas para inclusão de mulheres mães no ambiente de trabalho.

Existe uma transformação dos modelos de trabalho e da forma como lidamos com nossa vida profissional acontecendo. Temos a possibilidade do trabalho por entregas, objetivos e metas, não só atrelada a quantidade de horas executadas.

Hoje, podemos escolher exercer uma profissão que gostamos e ser mãe ao mesmo tempo. Esta escolha, muitas vezes, não foi permitida a gerações anteriores.

Iniciativas como horário flexível, permite que essas mulheres se adaptem à nova rotina e sejam mais produtivas.

“Pesquisas mostram que um horário mais flexível, semanas de trabalho mais curtas e maior autonomia podem de fato deixar os funcionários mais produtivos (e satisfeitos)”. (BENETT, 2016, pg. 67).

As mudanças são muitas, mas as recompensas podem ser grandiosas. Esses tipos de programas que investem nas pessoas, permitem maior diversidade e igualdade de gêneros, satisfação dos Colaboradores e um lado mais humano nas organizações.

O Setor de tecnologia é o que mais cresce no mundo. Tem muita oportunidade. Mas faltam desenvolvedores. Ainda hoje as mulheres representam menos de 1/3 da força de trabalho no TI.

 

Conforme um estudo da Organização McKinsey & Company “as empresas com diversidade de gênero, possuem 15% a mais de chances de ter rendimentos acima da média” e uma pesquisa da Harvard Business Review revelou que “nas empresas onde o ambiente de diversidade é reconhecido, os funcionários estão 17% mais engajados e dispostos a irem além das suas responsabilidades. (…) Além disso, foi identificado também que a existência de conflitos chega a ser 50% menor que nas outras organizações” (CLOSS, 2018).

Há uma enorme parcela de mulheres que não são bem recebidas em seus ambientes de trabalho após o retorno da licença maternidade. Segundo um estudo da FGV, pelo menos 50% das mulheres no Brasil foram demitidas após os dois anos seguintes do retorno ao trabalho. (DOLCE, 2017)

Em novas oportunidades de trabalho, “candidatas a uma vaga de emprego que tem filhos tem 44% a menos de chances de serem contratadas do que mulheres sem filhos com qualificações semelhantes, (…) metade de chance de ser promovida, recebendo em média 11 mil dólares a menos de salário por ano, e maior probabilidade de ser vigiada quanto a sua pontualidade. Para mulheres negro-latina americanas, essas penalidades são piores-duplamente problemáticas, já que tem maior chance de contribuírem significativamente para o sustento da família” (BENETT, 2016, pg. 65)

Temos uma mão de obra especializada cheia de garra para trabalhar, que muitas vezes está à margem das organizações. Ainda existem “mulheres preferem não contar que tem filhos na entrevista de emprego para não perderem oportunidades” (VILARINHO, 2017, pg. 121).

Muitas afastadas desse mercado, veem o empreendedorismo única saída. De acordo com o Sebrae, 34% dos novos negócios no país são criados por mulheres e 75% foram inspirados na maternidade.

O meu lugar de fala é privilegiado por trabalhar em uma empresa que acolhe e enxerga esse valor da maternidade no trabalho das suas Colaboradoras. Tive 180 dias de licença maternidade e fui muito bem recebida quando retornei. Sempre tenho um olhar atento das minhas gestoras quanto a necessidade de flexibilização da minha jornada de trabalho em função do Antônio.

Ter mais mulheres nas lideranças tornará essa empatia mais visível, “o relatório do Corporate Women Directors International mostrou que, na América Latina, apenas 47 das 100 maiores empresas têm pelo menos uma mulher nos conselhos de administração” (MARTINS, 2018).

É claro que contar com uma rede de apoio é fundamental para a retomada da vida profissional, seja família, escola ou amigos. Essa estrutura permite que a vida profissional ocupe um lugar relevante na vida dessa mulher.

 

E como as empresas têm pensado nesse novo perfil profissional?

Muitas organizações, principalmente da área de TI, têm adotado essa inclusão em suas práticas. Falar sobre isso é importante, é necessário ver outras mulheres bem-sucedidas para que possamos nos espelhar e enxergar essa possibilidade de mercado de trabalho.

Há inciativas como o site “Contrate uma mãe” que liga empresas a profissionais mães para melhorar esse gap. Ou mesmo a PepsiCo que, em 2018, realizou um programa de recrutamento voltado somente às profissionais afastadas do mercado de trabalho há, no mínimo, dois anos, que foram se dedicar aos filhos. Nas mídias sociais, os Colaboradores da Maxmilhas também compartilham sobre seus horários flexíveis e lideranças empáticas com a jornada da maternidade e paternidade.

Por outro lado, como os RHs tem se atentado para essa questão? Estão só preocupados onde esse filho ficará enquanto a mãe exerce a sua jornada de trabalho ou são empáticos e percebem as qualidades profissionais das mães?

A empatia também pode ser exercida nas equipes de trabalho no momento em que os colegas não julgam uma mãe que saiu mais cedo e não penalizam pais que precisam ajustar os horários de vez em quando para lidar com os assuntos de família.

Em um outro momento, já compartilhei em minhas mídias sociais sobre a experiência de levar o Antônio a palestra, workshops e cursos e ser bem recebida e acolhida por todos durante o evento. A empatia deve permear todo esse universo profissional.

 

Conclusão

Contratar uma mãe é uma aliada valiosa na humanização da organização. Promover uma cultura de inclusão consciente é fundamental. Não basta criar os programas, é preciso se envolver, é uma necessidade de mudança autêntica. É preciso repensar não com um olhar mercadológico, mas sim como uma alternativa para criar uma nova CULTURA e um mundo melhor para futuras gerações.

E você, já é mãe? Como enxerga essa perspectiva da maternidade e do trabalho? Acha que a maternidade ainda é um fator exclusivo nos processos seletivos e na vida profissional? Vamos conversar sobre o assunto, pensar em alternativas, discutir o que está posto? Afinal, dia das mães também é um momento de reflexão.

 

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Fernanda GranatoPor: Fernanda Granato

Analista de Marketing na ConcertTechnologies e mãe do Antônio.

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