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Paternidade e empreendedorismo | Como conciliar essas duas missões?

Crônica, Desenvolvimento e Educação, Paternidade

Está comprovado que ser multitarefas não é sinônimo de dias produtivos. O foco é necessário na vida de qualquer empreendedor. Mas, e quando juntamos duas grandes missões: paternidade e empreendedorismo, como podemos fazer para conciliar ambas as missões?

Esse assunto vira e mexe permeia meus pensamentos. Com a chegada do Marcelo, ele voltou a navegar minha mente.

Quando abri minha empresa, lá em 2006, já conseguia enxergar muito bem o que eu almejava. Quais os objetivos de vida, objetivos enquanto empreendedor e todas as projeções e metas estavam, de certa forma, bem desenhadas.

Já tinha pleno conhecimento que abrir uma empresa não é (nunca foi) sinônimo de virar empresário, chefe. Inclusive, acredito que o glamour que gira em torno do empreendedor é um tanto quanto perigoso. O sucesso aparenta ser fácil. O dia-a-dia aparenta ser nobre, glamuroso. Somos atingidos cotidianamente por vídeos e palestras de empreendedores de palco que apresentam x dicas de sucesso para vender mais.

Empreender não é receita de bolo e demanda persistência e dedicação. Muita persistência e muita dedicação. E com filhos… essa receita pode azedar.

 

É possível ser pai protagonista e empreender ao mesmo tempo

Chego aqui no ponto que queria abordar: Como eu fiz para fazer os dois ao mesmo tempo?

Já tinha ciência de toda essa dedicação de tempo e trabalho e, assim que a empresa estava funcionando, passei a trabalhar 14h, 15h, as vezes até 18h por dia.

Tinha uma fonte de renda que dava para pagar as contas e com isso eu conseguia tempo para dedicar a empresa sem ter um retorno imediato. Um ano depois… tudo mudou. João nasceu em novembro de 2007 e com certas complicações. Apesar de eu já ser muito responsável, daquele momento em diante tinha mais alguém dependendo de mim. Aí meu amigo, o buraco é bem mais embaixo.

Passei a necessitar de uma renda maior para pagar as contas, já que o João necessitava de cuidados.

Passei a viver um dilema: o tempo dedicado à empresa precisava ser dividido com o tempo dedicado para captar recursos. Ou seja, você passa a ter pressa no retorno financeiro para pagar as contas no final do mês e não consegue mais se dedicar tanto ao seu próprio empreendimento com a expectativa de colher frutos a médio prazo.

E nos dois primeiros anos de vida do João a dedicação a paternidade foi maior do que ao empreendimento. Era a prioridade urgente na época.

Então, respondendo a pergunta do primeiro parágrafo, acho que ambos ficaram prejudicados. Se eu fosse mais ausente na vida do João estaria em outro momento com meus negócios e se me dedicasse mais tempo a vida do João, talvez eu não tivesse mais um CNPJ. Esse paradoxo é o ponto chave para se manter estável e saudável, em casa e no trabalho. (No final do texto, dou algumas dicas do que é preciso fazer para conseguir o mínimo de equilíbrio).

 

Voos maiores

É muito comum as mulheres se dedicarem a algum empreendimento depois de se tornarem mães, por vários motivos. Se deparam com a dificuldade de voltar a trabalhar e não ter com quem deixar a criança; muitas vezes não conseguem se recolocar no mercado de trabalho; ou mesmo por opção de ter mais presença no dia a dia do bebê, acabam se tornando empreendedoras e conciliam o tempo em casa com os cuidados com o bebê.

Porém, projetos maiores, voos mais altos, são quase incompatíveis com a maternidade / paternidade. Temos muitos exemplos de empresários que só têm filhos depois de chegarem a determinado patamar no mundo dos negócios. Um caso icônico que comprova essa tese, é do fundador da Apple: Steve Jobs. Ele teve uma filha bem antes de revolucionar o mercado tecnológico, mas não virou pai. m

Mesmo tendo sido abandonado quando criança, escolheu o mesmo caminho que milhares de homens covardes: abandona mãe e filha a própria sorte. Jobs, só assumiu a filha aos 23 anos, quando a Apple já era uma empresa mundialmente reconhecida. Ele sabia que se tornar pai naquele momento seria equivalente a abandonar seu sonho.

Mesmo em empresas menores, é bem raro ver casos de pais empreendedores. A grande maioria das startups são de jovens que ainda não têm filhos. Faça um exercício e observe os empresários da nova geração. Acredito que você encontrará os seguintes cenários:

Cenário 1 – Sem filhos, alcançando seus objetivos.

Cenário 2 – Pais que já haviam consolidado suas empresas antes de se tornarem pais.

Cenário 3  – Pais que não conseguiram conciliar esses desafios e voltaram para o mercado de trabalho.

Cenário 4 – Pais que ainda lutam com a divisão de tempo. Primeiro usa o tempo para captar os recursos necessários para pagar as contas. Com o tempo que sobra, ele empreende.

Cenário 5 – Pais que, mesmo sendo protagonistas na vida do filho, conseguiram tornar sua empresa sustentável.

O último cenário é uma espécie rara. Por onde andam? Do que se alimentam? Como conseguiram? Mas com muito esforço e ajuda, tanto na empresa quanto na família, é possível.

 

Então, se sou pai/mãe não vou conseguir crescer com minha empresa?

Bem, se você não tem recurso, almeja revolucionar como o Jobs e ser um pai protagonista como eu… sinto lhe informar, mas acho que não é possível. Ok, ok… usei uma referência bem elevada só para causar um drama. Em um nível mais real de empreendedorismo é possível sim.

É possível sim tornar sua empresa sustentável e com crescimento constante mesmo depois de ser pai. Dependendo da sua situação financeira, o caminho pode ser mais curto. Voltando ao exemplo… Jobs, vivia na casa dos pais, sem contas e sem grandes compromissos financeiros, o que é um grande alento.

Sustentável pra mim é: uma empresa que tem as contas em dia, consegue ter o lucro líquido (incluindo os salários dos sócios e 10% de reserva) de 10 a 20% mais alto que o custo total da empresa, ter crescimento de 5 a 10% ao mês e dinheiro em caixa para cobrir 3 meses de custo.

Mas para tornar sua empresa sustentável a mãe ou pai vai precisar de ajuda nas duas frentes. Com o filho, alguém que, vez ou outra consiga pega-lo na escola por exemplo já pode aumentar a produtividade na empresa. Já na empresa, é necessário ter o horário flexível para conseguir sair para uma reunião na escola, pediatra, e tudo isso vai impactar no rendimento do negócio. Por isso é importante conseguir “substituir” esse horário ausente em um outro momento.

 

Mas para conseguir chegar “no sucesso” da sua empresa alguns ingredientes são necessários:

PLANEJAMENTO

Em primeiro lugar é necessário planejar. Cada detalhe e cada minuto é preciso estar no papel. Dessa maneira você consegue separar as duas coisas e não ficar respondendo mensagens enquanto seu filho suplica por atenção. E essa situação, acredite, é cotidiana. É preciso se monitorar sempre.

Na teoria esse planejamento é simples. Na prática é quase impossível conseguir manter essa separação 100% do tempo. Vez ou outra a gente acaba trabalhando enquanto o filho está pendurado no pescoço, literalmente. Mas é importante que isso não vire um hábito.

 

OTIMIZAÇÃO DO TEMPO

Outro ponto importante é aproveitar buracos no dia para otimizar o tempo. Eu sempre aproveito o tempo na sala de espera da terapia do João para responder alguns emails, planejar o dia ou mesmo ler um livro.

No carro quando estava indo ao colégio busca-lo sempre ouvia PodCast sobre infância, paternidade, empreendendorismo… Na volta, quando ele já estava no carro, eu virava a chave para pai e escutávamos o que ele queria ouvir.

 

PACIÊNCIA E PERSEVERANÇA

Por fim (não que tenha acabado a lista de “necessidades”, mas uma hora o artigo tem que ser finalizado…rs), é preciso ter paciência e perseverança. Quantas vezes me deparo com alguma situação de alta produtividade sendo interrompida por questões básicas de casa: “Pai, que horas são?” ou mesmo “Pai, não tô achando meu tênis”.  Para quem trabalha em home-office os mundos se misturam o tempo todo e a paciência e sabedoria são as ferramentas para conseguir lidar com isso no dia a dia.

Se seu negócio é fora de casa é necessário entender a hora de desligar tudo e ir para casa. E isso na vida de um empreendedor que está em processo de ascensão é uma tortura. Mas se você quer ser protagonista também na vida do filho, precisa parar mais cedo, começar mais tarde e, consequentemente, dar passos mais lentos.

Perseverança é essencial pois terá dias que você vai querer desistir. Mas essa vontade passa logo e é bom compartilhar com a família todos esses desafios, inclusive com a criança, caso ela já tenha idade para compreender.

Siga firme e me conte como é sua batalha do dia a dia.

 

Ps.: Levo em consideração nesse artigo empreendimentos embrionários. Onde o pai/mãe criam do 0 seu próprio negócio.

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Rafael Andrade - Fundador do Sem Choro

Sou Rafael Andrade, fundador do Sem Choro, Empreendedor, Designer Gráfico e Web, Diretor da Agência iMAGON, pai solo do João e do Marcelo (que está quase chegando).

Contato: rafael@semchoro.com.br

 

 

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